Protocolo de Ressonância Magnética para Avaliação de Radiculopatia Cervical e Compressão Nervosa
A ressonância magnética (RM) é o exame de escolha para a avaliação da radiculopatia cervical e compressão nervosa, permitindo a análise detalhada das estruturas ósseas, discos intervertebrais, forames neurais, medula espinhal e raízes nervosas cervicais. A RM é fundamental para detectar hérnias discais, estenoses foraminais, osteófitos, espondilose e mielopatia cervical.
1. Indicações
- Dor cervical irradiada para os membros superiores (suspeita de compressão radicular).
- Fraqueza, dormência ou parestesia em um ou ambos os braços.
- Déficits motores ou sensoriais cervicais (alteração de força ou reflexos).
- Hérnia de disco cervical sintomática.
- Estreitamento do canal vertebral e foraminal.
- Síndrome do impacto foraminal ou compressão nervosa crônica.
- Espondilose e osteófitos compressivos.
- Mielopatia cervical (compressão da medula espinhal associada a disfunção neurológica).
- Monitoramento pós-operatório de descompressão cervical.
2. Posicionamento do Paciente
- Decúbito dorsal sobre a mesa de exame.
- Cabeça neutra e alinhada com a coluna cervical.
- Uso de bobina de coluna cervical de alta resolução.
- Imobilização leve para minimizar artefatos de movimento.
- Instrução ao paciente para evitar engolir durante a aquisição.
3. Sequências e Parâmetros Técnicos
| Sequência | Plano | Parâmetros Principais | Finalidade |
|---|---|---|---|
| T1 SE | Sagital e Axial | TR/TE ~600/10 ms | Avaliação anatômica, alinhamento vertebral e integridade medular |
| T2 FSE | Sagital e Axial | TR/TE ~4000/80-100 ms | Identificação de compressão medular, hérnia de disco e edema |
| T2 STIR ou FatSat | Sagital | TR/TE ~4000-5000/80-100 ms | Avaliação de inflamação, edema de raízes nervosas e impacto compressivo |
| T2 (GRE)* | Axial | TR/TE ~700/20 ms | Avaliação de micro-hemorragias e mielopatia compressiva crônica |
| DWI (Difusão) | Axial | b = 0, 800-1000 s/mm² | Detecção precoce de isquemia medular e radiculopatia compressiva crônica |
| T1 FatSat Pós-Contraste | Axial e Sagital | TR/TE ~600/10 ms | Avaliação de realce inflamatório em nervos comprimidos (radiculite) |
4. Achados Patológicos
Radiculopatia Cervical
- Hérnia de disco: deslocamento do núcleo pulposo comprimindo a raiz nervosa.
- Estenose foraminal: redução do espaço neural por osteófitos ou degeneração discal.
- Compressão radicular: contato direto entre disco herniado/osteófito e raiz nervosa.
- Edema da raiz nervosa: hiperintensidade em T2/STIR e possível realce pós-contraste.
Mielopatia Cervical
- Sinal hiperintenso em T2 na medula espinhal indicativo de compressão crônica.
- Redução do diâmetro medular em áreas de compressão severa.
- Atrofia medular focal em casos avançados.
Espondilose Cervical e Osteófitos
- Espessamento ligamentar com estenose do canal vertebral.
- Osteófitos anteroposteriores causando impacto mecânico na raiz nervosa.
- Mielopatia espondilótica (sinal de compressão crônica medular).
5. Preparo do Paciente
- Não há necessidade de jejum, exceto se houver indicação de contraste.
- Preenchimento do questionário de segurança para RM.
- Uso de gadolínio em casos de suspeita de inflamação (radiculite) ou neoplasia.
- Instrução para evitar deglutição e falar durante a aquisição, reduzindo artefatos de movimento.
6. Considerações Adicionais
- DWI pode ser útil para diferenciar mielopatia compressiva de processos inflamatórios.
- Comparação com exames prévios (TC e RM) é importante para avaliar progressão da doença.
- Avaliação dinâmica (com flexão e extensão cervical em RM cinematográfica) pode ser indicada em casos de estenose dinâmica.
- PET-CT pode ser necessário em suspeita de lesões metastáticas.