Protocolo de Ressonância Magnética (RM) para Infecção Orofacial (Abscessos, Celulites, Osteomielite)
A ressonância magnética (RM) é o exame mais sensível para a avaliação de infecções orofaciais, permitindo a detecção precoce de abscessos, celulites, fasciítes necrotizantes e osteomielite, além da diferenciação entre processos inflamatórios e neoplásicos. A RM é essencial para definir a extensão da infecção, avaliar envolvimento ósseo e orientar o tratamento cirúrgico ou medicamentoso.
1. Posicionamento do Paciente
- Posição: Decúbito dorsal, com a cabeça imobilizada para minimizar artefatos de movimento.
- Coil: Bobina de cabeça e pescoço de múltiplos canais para melhor relação sinal-ruído.
- Imobilização: Uso de suportes laterais e faixa de contenção para minimizar movimentação involuntária.
2. Sequências de Exame e Parâmetros Técnicos
| Sequência | Plano | TR/TE (ms) | Espessura (mm) | Observações |
|---|---|---|---|---|
| T1 Sagital e Axial | Axial e Sagital | 500-700 / 10-15 | 3-5 | Avaliação anatômica detalhada e identificação de edema de partes moles. |
| T2 Axial e Coronal | Axial e Coronal | 3000-4000 / 80-120 | 2-3 | Identificação de coleções líquidas (abscessos), edema e inflamação. |
| T2 STIR Axial e Coronal | Axial e Coronal | 4000-6000 / 50-80 | 3-5 | Melhor sequência para detectar edema inflamatório e infiltração de partes moles. |
| DWI (Diffusion-Weighted Imaging) e ADC | Axial | 4000-6000 / 70-100 | 2-3 | Diferenciação entre abscesso (restrição à difusão) e celulite (sem restrição). |
| T1 Pós-Contraste (Gadolínio 0,1 mmol/kg) Axial, Coronal e Sagital | Multiplanar | 500-700 / 10-15 | 3-5 | Avaliação do realce perilesional em abscessos e extensão da infecção para estruturas profundas. |
3. Achados Característicos nas Infecções Orofaciais
1. Abscesso Orofacial
- T2/STIR: Área hiperintensa com bordas bem definidas e edema perilesional.
- DWI: Restrição significativa da difusão no interior da coleção.
- T1 Pós-Contraste: Realce periférico intenso, com centro hipointenso (necrose).
2. Celulite e Fasciíte Necrotizante
- T2/STIR: Edema difuso dos tecidos moles, sem coleção líquida bem definida.
- DWI: Ausência de restrição significativa (diferente de abscesso).
- T1 Pós-Contraste: Realce difuso dos planos fasciais e musculares.
3. Osteomielite Mandibular/Maxilar
- T2/STIR: Hiperintensidade medular e cortical óssea, indicando edema ósseo.
- DWI: Pode mostrar restrição em áreas de infecção ativa.
- T1 Pós-Contraste: Realce irregular da medula óssea e tecidos moles adjacentes.
4. Indicações Clínicas
- Investigação de abscessos orofaciais em pacientes com dor intensa, febre e edema.
- Diferenciação entre abscesso e celulite (para decisão cirúrgica).
- Avaliação da extensão da infecção em fasciíte necrotizante.
- Detecção precoce de osteomielite e seu grau de acometimento ósseo.
- Monitoramento da resposta ao tratamento antibiótico e cirúrgico.
5. Preparação do Paciente
- Contraste: Indispensável para avaliar abscessos e osteomielite.
- Jejum: Recomendado de 4 horas antes do exame se houver administração de contraste.
- Histórico Clínico: Importante correlacionar com sintomas inflamatórios, histórico de cirurgias dentárias, diabetes e imunossupressão.
6. Destaques
- T2 STIR é essencial para detectar edema inflamatório em tecidos moles.
- DWI auxilia na diferenciação entre abscesso (restrição) e celulite (sem restrição).
- T1 pós-contraste identifica abscessos (realce periférico) e inflamação difusa (realce homogêneo).
- T2 Axial é crucial para avaliar a extensão da infecção e compressão de vias aéreas.