Protocolo de Ressonância Magnética para Avaliação de Trauma Cervical e Hematomas
A ressonância magnética (RM) é fundamental na avaliação de trauma cervical, especialmente quando há suspeita de lesão ligamentar, edema medular, compressão neural, hematomas cervicais e lesões de partes moles. Complementa a tomografia computadorizada (TC) em casos onde há suspeita de lesão medular, hematoma epidural, lesão de ligamentos ou dissecção arterial.
1. Indicações
- Trauma cervical fechado (acidente automobilístico, queda, agressão).
- Avaliação de hematomas cervicais espontâneos ou traumáticos.
- Suspeita de lesão ligamentar, fratura oculta ou edema medular.
- Déficit neurológico pós-trauma cervical.
- Dissecção arterial das artérias vertebrais ou carótidas.
- Síndrome da hiperextensão cervical (whiplash).
2. Posicionamento do Paciente
- Decúbito dorsal na mesa de exame.
- Cabeça neutra com mínimo movimento cervical (colares cervicais devem ser mantidos se houver suspeita de instabilidade).
- Uso de bobina de cabeça e pescoço de alta resolução.
- Evitar movimentos involuntários (uso de suportes laterais e instruções ao paciente).
3. Sequências e Parâmetros Técnicos
| Sequência | Plano | Parâmetros Principais | Finalidade |
|---|---|---|---|
| T1 SE | Sagital e Axial | TR/TE ~600/10 ms | Avaliação anatômica, hemorragia subaguda e contusões medulares |
| T2 FSE com supressão de gordura (FatSat ou STIR) | Sagital e Coronal | TR/TE ~4000-5000/80-100 ms | Edema medular, lesão ligamentar e hematomas cervicais |
| T2 GRE (Gradient Echo) | Axial | TR/TE ~700/20 ms | Identificação de hemorragias recentes e micro-hemorragias |
| DWI (Difusão) | Axial | b = 0, 800-1000 s/mm² | Avaliação de isquemia e compressão medular traumática |
| T1 FatSat Pós-Contraste | Axial e Sagital | TR/TE ~600/10 ms | Avaliação de realce em tecidos moles e detecção de hematomas organizados |
| 3D TOF MRA | Axial | Sem contraste | Avaliação de dissecção arterial e trombose vascular |
4. Principais Achados
- Edema medular: hiperintensidade em T2/STIR, pode indicar concussão medular.
- Hematomas cervicais: isointensos em T1 na fase aguda, hiperintensos em T1 na fase subaguda.
- Lesão ligamentar: interrupção ou irregularidade na sequência STIR/FatSat.
- Compressão neural: estreitamento do canal vertebral com possível compressão da medula espinhal.
- Dissecção arterial: sinal hiperintenso em T1 na parede vascular com fluxo alterado em TOF MRA.
5. Preparo do Paciente
- Se o paciente estiver em colar cervical, mantê-lo até exclusão de instabilidade vertebral.
- Jejum de 4 horas, caso seja necessário contraste.
- Preenchimento do questionário de segurança para RM.
- Uso de gadolínio opcional, para avaliação de lesões inflamatórias e hematomas organizados.
6. Considerações Adicionais
- Em pacientes instáveis ou com risco de movimento, considerar sedação leve.
- Comparação com exames prévios (TC e RM) auxilia na diferenciação entre lesões agudas e crônicas.
- A combinação de T2 STIR e T1 com contraste melhora a detecção de hematomas e lesões ligamentares.
- TOF MRA é útil para avaliação de dissecção de artérias vertebrais ou carótidas, frequentemente associada a traumas cervicais.