PROTOCOLO PARA RADIOGRAFIA EM PACIENTE DE UTI (SÉRIE DE TRAUMA NA UTI)
1. Indicações Clínicas
• Monitoramento de pacientes críticos com trauma recente.
• Verificação de complicações pulmonares (pneumonia, edema pulmonar, SDRA, derrame pleural, pneumotórax).
• Avaliação de fraturas e deslocamentos ósseos sem movimentação do paciente.
• Checagem da posição de dispositivos médicos (tubo orotraqueal, cateter venoso central, sonda nasogástrica, drenos torácicos).
• Investigação de complicações pós-operatórias.
2. Princípios Gerais
• Manter a imobilização do paciente, evitando movimentação brusca.
• Uso de técnica portátil, pois o paciente não pode ser deslocado para a sala de radiologia.
• Uso de proteção radiológica (avental de chumbo para equipe).
• Colimação estrita para reduzir a dose de radiação.
• Aquisição rápida e eficiente, garantindo mínima interferência na monitorização do paciente.
3. Sequência Padrão da Série de Trauma em UTI
A) Raio-X de Tórax (PA ou AP Portátil) – Essencial
• Posição do paciente: Decúbito dorsal ou semiortostático (o máximo que o paciente tolerar).
• RC (Raio Central): Direcionado perpendicularmente ao meio do tórax, na altura de T7.
• Distância Foco-Filme (FFD): 100 cm (portátil).
• Colimação: Ajustada para incluir toda a caixa torácica.
• Respiração: Exposição feita no final da inspiração.
• Finalidade:
• Avaliação de pneumotórax, derrame pleural, SDRA, consolidações pulmonares.
• Verificação da posição do tubo orotraqueal, cateter venoso central, sonda nasogástrica e drenos torácicos.
B) Raio-X de Abdômen AP Portátil
• Posição do paciente: Decúbito dorsal, sem movimentação.
• RC: Direcionado ao meio do abdômen, na altura da crista ilíaca.
• Colimação: Ajustada para incluir desde o diafragma até a pelve.
• Respiração: Exposição no final da expiração.
• Finalidade:
• Pesquisa de íleo paralítico, pneumoperitônio e obstrução intestinal.
• Avaliação da posição de cateteres, sondas nasoenterais e drenos abdominais.
C) Raio-X de Coluna Cervical – Paciente Intubado/Imobilizado
• Projeção Lateral (Raio Horizontal) – Essencial
• Posição do paciente: Decúbito dorsal, com colar cervical mantido.
• RC: Direcionado perpendicularmente à coluna cervical, na altura de C4-C5.
• Finalidade:
• Avaliação de fraturas cervicais e desalinhamentos.
• Verificação da posição do tubo orotraqueal (cuff na altura de T2-T4).
• Projeção AP da Coluna Cervical (Opcional)
• RC: Perpendicular ao meio da coluna cervical (C4-C5).
• Finalidade: Avaliação complementar para fraturas cervicais.
D) Raio-X de Pelve AP Portátil
• Posição do paciente: Decúbito dorsal, sem movimentação.
• RC: Direcionado perpendicularmente à linha média da pelve, 2 cm acima da sínfise púbica.
• Colimação: Ajustada para incluir toda a pelve e articulações sacroilíacas.
• Respiração: Exposição no final da expiração.
• Finalidade: Avaliação de fraturas pélvicas e diástase da sínfise púbica.
E) Raio-X de Membros – Trauma Ósseo em Paciente de UTI
• Projeção AP e Lateral de Raio Horizontal
• Paciente: Decúbito dorsal, com a extremidade afetada imobilizada.
• RC: Direcionado perpendicularmente à região de interesse.
• Finalidade: Diagnóstico de fraturas e luxações em membros superiores e inferiores.
4. Parâmetros de Aquisição
• kVp:
• 90-120 kVp para tórax.
• 70-85 kVp para abdômen e coluna cervical.
• 60-80 kVp para membros.
• mAs: Ajustado conforme biotipo do paciente.
• Distância foco-filme (FFD):
• 100 cm para exames portáteis.
• 180 cm para tórax (se possível).
• Uso de grade: Sim, para melhorar contraste e reduzir radiação espalhada.
5. Considerações Especiais
• Manutenção do colar cervical: Nunca remover antes de excluir lesão por imagem.
• Mínima manipulação do paciente: Para evitar desestabilização hemodinâmica ou deslocamento de dispositivos.
• Uso de TC para complementação diagnóstica:
• TC de crânio, tórax, abdômen e coluna pode ser necessária para avaliação detalhada de traumas complexos.
• Equipe multidisciplinar: Exames realizados com acompanhamento da equipe de enfermagem e médicos intensivistas.